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Sinopse |
Em 1975, uma tranqüila praia italiana se chocou com o aparecimento do corpo, desfigurado, de um dos maiores cineastas e poetas que o mundo já viu: Pier Paolo Pasolini. Tão controversa quanto sua vida, sua morte tem até hoje mistérios difíceis de decifrar. Com base em conversas com seus discípulos, tais como Bernardo Bertolucci, o documentário inédito Quem Fala a Verdade Deve Morrer (Wie de Waarheid Zegt Moet Dood, 1981) tenta descobrir a verdade por trás do terrível assassinato desse mito da sétima arte.
Destaque do Eurochannel em dezembro, a produção analisa as teorias em torno do crime. Segundo a versão oficial, o cineasta, comunista e homossexual assumido, teria sido torturado e atropelado por um garoto de programa, de apenas 17 anos. Há quem acredite, porém, que se trata de uma conspiração do governo italiano.
Por meio de entrevistas e trechos de seus filmes, o programa cria um retrato do enigmático de Pasolini. Pintado por mais de meio século pela imprensa como uma ameaça à cultura do país, ele é considerado um dos mais importantes artistas italianos. Ao mesmo tempo, era um homem de atos imprevisíveis, como seu apoio aos policiais durante as revoltas estudantis de 1968. Para ele, os policiais eram trabalhadores pobres, enquanto os manifestantes eram representantes da classe média.
Seu início no cinema não podia ser melhor. Como auxiliar de Fellini, ele criou partes dos diálogos do clássico Noites de Cabíria (1957). De tão polêmicos, seus filmes costumavam ser banidos de vários países - como os da chamada Trilogia da Vida, formada por Os Contos de Canterbury (1971), Urso de Ouro em Berlim, Decameron (1971) e As Mil e Uma Noites (1974). A veia sensível apareceu em produções como Medéia (1969), estrelada por Maria Callas. Mamma Roma (1962), O Evangelho Segundo São Mateus (1964), Édipo Rei (1967) e Teorema (1968) são algumas de suas obras-primas. Seu último título, no entanto, é o mais chocantes de todos: Saló ou os Cento e Vinte Dias de Sodoma (1975), que narra uma seqüência de humilhações sofridas por filhos de comunistas - aplicadas, é claro, por fascistas |